
Não sou fã de tirinhas. O personagem Geraldão não faz parte de nenhuma fase da minha vida, assim como o personagem infantil Geraldinho. Não sou leitora de jornais – e não que eu me orgulhe disso – e muito menos assinante da Folha. Mas é impossível ficar indiferente ao que aconteceu nesta madrugada: o assassinato sem sentido e sem razão do cartunista Glauco.
Como vem acontecendo com os últimos grandes acontecimentos, fiquei sabendo da notícia pelo Twitter. Assim que li a primeira triste manifestação sobre o ocorrido, corri para os sites para saber mais.
@mauriciodesousa
o dia fechou. com o desaparecimento do glauco. não há palavras para justificar, explicar, entender…
Os dois assaltantes invadiram a casa e agrediram o cartunista e sua esposa, enquanto ele tentava negociar. Glauco chegou a convencer os bandidos de deixarem a casa para que ele sacasse dinheiro, livrando assim a mulher e os filhos de mais algum tipo de violência. Ao saírem de casa, o filho Raoni estava chegando. Houve discussão e o fim da história todos já sabem.
Diante de tanta brutalidade, a gente volta a questionar a justiça frouxa do país, as prisões que não acontecem ou, quando acontecem, são por tão pouco tempo que parece mais uma saída de férias para espairecer. A gente chega até a discutir sobre a falta da pena de morte no Brasil.
E é aí que outro tweet me chamou atenção.
RT @marcellofriko RT @raffaelregis iso tudo é o que eu acho. estamos acostumados a nos revoltar com as coisas num dia e esquecer no outro.
Alguém discorda? Não sei de nenhuma estatística que afirme que essa é uma postura da maioria das pessoas ou de alguma parcela da população brasileira. Mas que é assim, ninguém pode negar. Quando acontece, a gente – e me incluo nessa gente – discute, esbraveja, conversa sobre todos aqueles assuntos que não costuma conversar, se revolta e faz até post no blog sobre isso.
O dia seguinte chega, a revolta diminui, a poeira baixa, os ânimos acalmam e todos os gritos se transforam em murmurinho. E quanto mais o tempo passa, menos audíveis se tornam os sussurros. Ou alguém lembra que dia 22 deste mês é o julgamento do Alexandre Nardoni e da Carolina Jatobá?
“Absurdas interrupções nos trazem imenso ponto de interrogação.” – Preta Gil, em seu Twitter.
Ao menos por hoje, Glauco Villas Boas será o assunto mais comentado no Twitter pelos brasileiros. E torço para que realmente seja até o fim do dia. Pelo menos.
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O site do Glauco: http://www2.uol.com.br/glauco/queme.shtml
Escrito por Marcela Hippe 



